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Obrigações: como funcionam e qual é o seu papel

Equipa Ativos.pt

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Obrigações: como funcionam e qual é o seu papel
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As obrigações são instrumentos financeiros através dos quais um investidor empresta dinheiro a um Estado, empresa ou outra entidade. Em troca, espera receber juros e recuperar o capital numa data definida, embora esse resultado não esteja garantido em todas as situações. Para perceber para que servem, é essencial distinguir o rendimento contratado do preço de mercado e avaliar o risco de crédito, as taxas de juro e a liquidez.

O que são obrigações?

Uma obrigação é um título de dívida. A entidade que a emite, designada por emitente, obtém financiamento junto de investidores. Quem compra a obrigação torna-se credor, não acionista: não adquire uma participação no capital da entidade nem, em regra, direitos de voto.

A emissão define habitualmente quatro elementos: o valor nominal, a taxa de juro, o calendário dos pagamentos e a data de vencimento. No vencimento, o emitente deverá reembolsar o valor nominal, desde que mantenha capacidade para cumprir as suas obrigações financeiras.

As obrigações podem ser emitidas por Estados, empresas, bancos e outras entidades. As obrigações soberanas tendem a estar associadas à capacidade financeira de um país, enquanto as obrigações de empresas dependem da situação económica e financeira da sociedade emissora.

Definição
Cupão
Juro periódico pago por uma obrigação, normalmente expresso como uma percentagem do valor nominal. Um cupão fixo não significa que o preço da obrigação permaneça constante no mercado.

Como é gerado o rendimento?

O rendimento de uma obrigação pode ter duas componentes principais. A primeira é o juro recebido durante o período de detenção. A segunda é a diferença entre o preço de compra e o preço de venda ou o valor reembolsado no vencimento.

Numa obrigação com taxa fixa, o cupão permanece definido nas condições da emissão. Porém, o preço negociado no mercado pode subir ou descer. Se as novas obrigações passarem a oferecer juros mais elevados, as obrigações antigas com cupões inferiores tendem a tornar-se menos atrativas, pressionando o seu preço.

O inverso também pode acontecer. Quando as taxas de juro descem, uma obrigação antiga com um cupão relativamente elevado pode ganhar valor no mercado secundário. A dimensão da variação depende, entre outros fatores, do prazo restante: quanto mais longa for a maturidade, maior tende a ser a sensibilidade às alterações das taxas.

Elementos essenciais de uma obrigação

Valor nominal
Montante de referência para juros e reembolso
Cupão
Juro previsto nas condições da emissão
Maturidade
Data prevista para o reembolso do capital
Preço de mercado
Valor a que pode ser comprada ou vendida antes do vencimento

Porque é que as taxas de juro são importantes?

As decisões do banco central europeu influenciam o custo do dinheiro na economia e as expectativas dos investidores. Quando as taxas de juro sobem, novas emissões tendem a oferecer condições mais interessantes. As obrigações já existentes podem perder valor, sobretudo se pagarem uma taxa fixa inferior à disponível em novas emissões.

Quando as taxas descem, o efeito pode ser favorável para o preço das obrigações anteriormente emitidas. No entanto, um investidor que pretenda reinvestir os juros ou o capital reembolsado poderá encontrar rendimentos mais baixos.

A relação com a Euribor é mais direta em instrumentos de taxa variável e em determinados produtos de crédito. Ainda assim, a Euribor e as decisões de política monetária podem influenciar as expectativas para o conjunto do mercado de obrigações.

Como evolui o ciclo de uma obrigação

  1. Emissão
    Captação de financiamento
    A entidade emitente define o valor, o cupão, o prazo e as restantes condições.
  2. Negociação
    Preço sujeito ao mercado
    Antes do vencimento, o preço pode variar com as taxas de juro, o risco de crédito e a procura.
  3. Vencimento
    Reembolso previsto
    Se o emitente cumprir, o investidor recebe o valor nominal, além dos juros aplicáveis.

Obrigações, ações e depósitos: quais as diferenças?

As ações representam uma participação no capital de uma empresa. O retorno depende sobretudo da valorização da cotação e de eventuais dividendos, sem uma data obrigatória de reembolso. O risco e a volatilidade podem ser elevados, mas o potencial de valorização também é diferente do de uma obrigação.

Os depósitos bancários são contratos de captação de poupança. As condições de remuneração e a proteção aplicável dependem do produto e do enquadramento legal. Numa obrigação, o investidor assume diretamente o risco do emitente, salvo mecanismos específicos previstos para determinados instrumentos, que não devem ser generalizados.

Os certificados de aforro são produtos de poupança do Estado com regras próprias de remuneração, mobilização e reembolso. Não são equivalentes a uma obrigação empresarial ou a um ETF de obrigações, apesar de todos poderem ser utilizados numa estratégia de preservação ou crescimento do património.

Quais são os principais riscos?

O risco de crédito é a possibilidade de o emitente falhar o pagamento dos juros ou do capital. Uma entidade com menor qualidade creditícia pode oferecer uma taxa mais elevada, precisamente porque o mercado exige uma compensação adicional pelo risco.

Existe também risco de taxa de juro. Mesmo que o emitente continue solvente, uma alteração das taxas pode provocar perdas se a obrigação for vendida antes do vencimento. Esta perda pode ser apenas potencial se o investidor mantiver o título até ao reembolso e o emitente cumprir, mas torna-se efetiva quando há uma venda abaixo do preço de compra.

A liquidez é outro fator. Algumas emissões têm pouca negociação, o que pode dificultar a venda ou obrigar a aceitar um preço menos favorável. Há ainda risco cambial quando a obrigação é denominada numa moeda diferente daquela em que o investidor mede o seu património.

Em fundos e ETF de obrigações, o valor das unidades também varia diariamente. Diversificar por emitentes e prazos pode reduzir o impacto de um problema específico, mas não elimina o risco de mercado.

Mitos comuns sobre obrigações

MitoUma obrigação com taxa fixa mantém sempre o mesmo valor.
FactoO cupão pode ser fixo, mas o preço de mercado oscila até ao vencimento.
MitoManter uma obrigação até ao fim elimina todos os riscos.
FactoPode reduzir o risco de preço, mas permanece o risco de incumprimento e de inflação.
MitoUm ETF de obrigações funciona exatamente como uma obrigação individual.
FactoUm ETF reúne vários títulos e, normalmente, não tem uma data única de reembolso do capital.

Obrigações individuais ou ETF de obrigações?

A compra direta de uma obrigação permite conhecer, à partida, o emitente, o cupão e a maturidade. Esta previsibilidade pode ser útil para quem tem uma data ou necessidade financeira definida. Contudo, a concentração num único emitente pode aumentar o risco e a liquidez disponível pode ser limitada.

Um ETF de obrigações reúne vários títulos num único instrumento, permitindo uma diversificação mais ampla. Pode incluir dívida soberana, dívida empresarial ou obrigações de diferentes prazos e moedas. Em contrapartida, o preço varia continuamente, existem custos de gestão e o investidor pode não ter um vencimento único em que todo o capital seja reembolsado.

A análise deve considerar a duração da carteira, a qualidade creditícia dos emitentes, a moeda, os custos, a política de distribuição dos rendimentos e o tratamento fiscal aplicável. As expressões «melhores ETF de obrigações» não têm uma resposta universal, porque a adequação depende do objetivo, do prazo e da tolerância ao risco.

Como avaliar uma obrigação?

A taxa anunciada não deve ser analisada isoladamente. É necessário comparar o rendimento esperado com o risco de crédito, o prazo e a possibilidade de venda antecipada. Também importa distinguir a taxa nominal do rendimento efetivo, que pode refletir o preço pago, comissões e outros encargos.

Os impostos podem incidir sobre juros, mais-valias ou distribuições, consoante o instrumento e a situação fiscal do investidor. As regras podem mudar e devem ser confirmadas na legislação em vigor ou junto de um profissional habilitado.

Qual pode ser o instrumento mais adequado?

  • SePretendes receber juros e aceitas manter o título até uma data definida.
    EntãoAnalisa uma obrigação individual, começando pelo emitente, maturidade, cupão e condições de reembolso.
  • SeQueres diversificar por muitos emitentes e negociar num mercado secundário.
    EntãoCompara fundos ou ETF de obrigações, verificando duração, custos, moeda e composição.
  • SeA prioridade é manter elevada disponibilidade do dinheiro e baixa complexidade.
    EntãoCompara produtos de poupança de curto prazo, sem assumir que têm o mesmo risco ou rendimento de uma obrigação.

Obrigações e inflação

Mesmo quando os juros são pagos dentro do previsto, a inflação pode reduzir o poder de compra do capital recebido. O rendimento nominal mostra o valor monetário obtido, enquanto o rendimento real procura refletir o efeito da subida dos preços.

Uma obrigação com taxa fixa torna mais previsíveis os fluxos financeiros, mas essa previsibilidade pode trabalhar contra o investidor se a inflação permanecer elevada. Já uma obrigação de taxa variável pode adaptar melhor o juro às condições de mercado, embora o rendimento futuro seja menos certo.

Por isso, a decisão não deve basear-se apenas na taxa de juro. O prazo, a necessidade de liquidez, a diversificação, a fiscalidade e a capacidade de suportar oscilações são igualmente relevantes.

Em conclusão, as obrigações podem servir para gerar rendimento, diversificar uma carteira e alinhar determinados fluxos financeiros com um prazo conhecido. Não são, contudo, equivalentes a dinheiro sem risco: o emitente pode falhar, as taxas de juro podem alterar o preço e a inflação pode reduzir o ganho real. Antes de investir, importa ler o documento de informação, confirmar custos e impostos, avaliar a liquidez e comparar o risco com o objetivo e o horizonte temporal definidos.

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